domingo, 23 de maio de 2010

Sonhos sem sono




Sono sem sonhos
São sonhos?
E sonhos sem sono
Delírios?

Quando desperto e não me lembro
Ou sonhando despertada
Em cada esquina que entro sem direção 
E em cada porta que encontro na estrada
Na hora que abro meus olhos pela manhã
No silencioso cotidiano da madrugada
Se eu durmo e não sonho
Eu deliro acordada?

Nota da edição

Como eu to tendo mais tempo pra me dedicar pro blog, eu aproveitei pra editar algumas postangens antigas e também adicionei alguns vídeos.
Agora temos vídeos nos posts Pinhole, Well it's got to be a chocolate Jesus, Madchester e This is Spinal Tap.


sábado, 22 de maio de 2010

Sobre animes e animações



Aproveitando o embalo lúdico proporcionado pelo minha última postagem, lembrei também de que nem todas as animações são feitas para entreter apenas ao universo infantil.  E não me refiro só ao Simpsons, Beavis and Butt-Head, South Park entre outros cartoons obviamente voltados ao publico maior de idade, mas a filmes fantásticos que as vezes em função do nome ou do visual, acabam passando despercebidos. Isso quando passam, por que os melhores do gênero, infelizmente, não chegam aos cinemas e muitas vezes nem nas locadoras - pelo menos na realidade de Floripa.
Alguns já são mais fáceis de encontrar e tiveram maior divulgação por causa do Oscar. É o caso do lisérgico A Viagem de Chihiro (2001), ganhador do Urso de Ouro no festival de Berlim de 2002 e do Oscar de melhor animação em 2003.
Eu acredito que muitas pessoas que convivem com crianças  e por isso assistem a quase todos os lançamentos infantis, como aconteceu comigo, provavelmente se surpreenderam com a animação muito mais apropriada para mentes maduras do que a da garotada, que não entendem ou até mesmo se assustam com a "viagem" da Chihiro.  (E aí já sabe, vai ter que assistir ao Diário da Princesa de novo, não é Sô?!?!).
O filme é de um dos diretores mais respeitados do gênero, o japonês Hayao Miyazaki, responsável também por outros clássicos mais raros como Meu Vizinho Totoro (1988), Princesa Mononoke (1997) e O Castelo Animado (2004) - baseado no livro Howl's Moving Castle da escritora inglesa Diana Wynne Jones.











Outro cineasta que eu também me amarro muito é o americano Tim Burton, produtor e roteirista de o Estranho Mundo de Jack (Nightmare Before Christmas, 1993), dirigido por Henry Selick e indicado ao Oscar de melhores efeitos especiais em 1994, e melhor trilha sonora no Globo de ouro do mesmo ano. Também dirigiu em parceria  com Mike Johnson A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005), o que rendeu a Burton sua primeira indicação ao Oscar na categoria de melhor animação em 2006. 
Mas foi com o sensacional curta-metragem Vincent (1982), escrito, desenhado e dirigido por Burton quando ele ainda trabalhava para a Disney, que ele ganhou notoriedade e deu origem ao gênero macabro que o acompanha na maioria dos seus trabalhos. O curta narra a historia de um menino que sonha em ser como seu ídolo Vicent Price - ator americano de filmes de terror que narrou a animação. Vincent é considerado uma autobiografia do cineasta que, assim como o personagem, é fã de Price e de coisas assustadoras e sombrias.




Dedico esse artigo a um outro garoto que não pertence à ficção, mas que as vezes também gosta de cultivar a sua personalidade melancólica e soturna. Feliz aniversário Magrelo!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Prelúdios e noturnos



"Entre o pedestal noturno e o matinal
Entre a morte vermelha e o desejo radiante
Sem um único som de triunfo ou alerta
Surge o grande sentinela na ponte de fogo
Ó alma transitória, que adorna com sonhos teu pensamento
Abandona a coroa de louros, remove as cordas da lira: as rodas estão girando, girando
A corrente vagarosa flui profunda e não se cansa
Os deuses estão sobre sua ponte
Sussurrando mentiras e amor
Zombarão de tua passagem pelo rio sombrio
Cujas correntezas incansáveis
Levarão a ti, rei dos sonhos
Destronado e eternamente inacessível
Para onde os reis que sonharam outrora
Embranquecem em lares de frio monumental."
James Elroy Flecker, citado em Sandman

"Ao meu redor cresce a escuridão, desvanece o sol que estava a brilhar. Precisamos falar de outra questão: você pode ser eu quando eu me retirar?"
Sandman 

Você é daquelas pessoas que ainda acham que gibi é coisa de crianças, nerds, ou uma leitura simples para apreciar no banheiro?
Se você respondeu que sim é porque provavelmente ainda não conhece Sandman, em minha opinião, a história em quadrinhos mais maneira de todos os tempos, que leva o nome de um dos mais enigmáticos e interessantes personagens das hq's - o rei dos sonhos, ou o rei do sonhar também conhecido como Morpheus, Oneiros, Oniromante e Lorde Moldador.
O gibi criado pelo mestre Neil Gaiman acompanha  as missões dos perpétuos (the Endless) -  representações antropomórficas de características inerentes aos seres humanos. Também denominados de Sem Fim, existem desde sempre e são considerados os seres mais influentes do universo criado por Gaiman, inclusive mais importantes que os deuses, respondendo apenas a alguns anjos e ao Criador. 
A família dos perpétuos, composta por sete irmãos (Delírio, Destino, Desespero, Sonho, Morte, Destruição e Desejo), tem a responsabilidade de organizar e manter a realidade, o mundo físico e os seres vivos. Cada um vive em seu próprio reino e tem suas funções e obrigações específicas.
Apesar de ter o formato de um gibi com ilustrações sensacionais de diferentes artistas, Sandman é considerado literatura séria. Em diversas passagens, encontramos referências a lendas e mitos e até mesmo a personagens reais, como William Shakespeare, Marquês de Sade e Sigmund Freud. 
No posfácio escrito por Peter Straub em um dos arcos de Sandman - Vidas Breves, o conceituado autor norte-americano finaliza afirmando:
"Neil Gaiman está em seu próprio patamar. Ninguém é melhor em sua área. Ninguém tem tanto alcance, profundidade e comando de narrativa. Gaiman é um mestre, e suas histórias amplas e espaçosas, preenchidas com todos os tons possíveis de emoção, não se parecem com as de quaisquer outros. Se isso não é literatura, nada mais é."

(Prelúdios e Noturnos é o nome de uma das coletâneas de Sandman. São ao todo 10 arcos no Brasil publicados pela editora Conrad.)